Um passeio trapaceiro, uma idosa caida no chão frio e escorregadio,duas pessoas nesse mesmo passeio. Reacção: continuarem a andar como se nada fosse,como se aquela velhota fosse como uma folha de árvore caída na vã tentativa de se conseguir levantar com o quase nenhum vento... A minha reacção: sair do carro a correr, carro estacionado à pressa e mal,tentar ajudar a senhora.
Entretanto as duas pessoas continuam a andar ainda nas "suas calmas",uma dessas pessoas é um jovem...não consigo levantar sozina a velhota, peço ajuda a esses dois seres que se dignam a tomar o papel de observadores passivos,inconscientes,estupidamente incapazes de tomar iniciativa de ajudar-me a ajudar...o jovem vem (ainda as "suas calmas") enquanto tenho metade do peso senhora em cima de mim... Diz ele:"Então caiu? Pensei que tivesse sido algum carro."...Fico incrédula! Sem palavras...viu-a no chão,apesar de a ver e ainda pensar que tivesse sido atropelada por um carro nada fez. Nada!!! Acabamos por levantar a senhora e ele com o seu discurso de quem se preocupava realmente questionou se ela estava bem aconselhando-a também a andar mais devagar!! Aquele ser que não correu para auxiliar, que ainda depois de o ter chamado continuou a andar tranquilamente estava ali a dar uma de quem se importava muito!
É verdade, é verdade que estamos em crise, e eu digo que se "lixe" a crise financeira quando nos nossos dias a crise de valores, da entreajuda, do pequeno e não insignificante acto de correr para ajudar é maior do que qualquer outra crise! Antes do material, antes do dinheiro somos gente, seres humanos e até agora a revolta de ninguém te corrido para ajudar está presente na minha cabeça. Não aceito, não consigo... podia ser a minha mãe, a minha avó, poderia ser qualquer uma das nossas pessoas ali...
Afinal custa tanto estender uma mão...

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